Quem você é quando para?

Quem você é quando para?

A maioria das mulheres consegue responder o que faz. Poucas conseguem responder quem são quando não estão fazendo nada.

Você sabe o que faz. Talvez saiba até muito bem. Sabe quantos projetos gerencia, quantas pessoas dependem de você, quantas horas rende por dia.

Mas tem uma pergunta diferente — e ela aparece nos momentos em que ninguém está pedindo nada:

Quem você é quando para?

Não quando está produzindo. Não quando está sendo útil, eficiente, presente para os outros. Quando para de verdade. Senta sem finalidade. Deixa a brisa do vento passar. Não faz nada — e não precisa justificar isso para ninguém.

Muitas mulheres, quando chegam a esse ponto, sentem um desconforto que não sabem nomear. Um vazio estranho. Uma inquietação que surge exatamente quando tudo está bem e tranquilo.

Como se o silêncio fosse ameaçador.

No consultório, é comum ouvir uma versão dessa história:

“Eu tirei férias finalmente. E foi horrível. Não sabia o que fazer comigo.”

Mulheres que conquistaram muito. Que construíram carreiras sólidas, famílias, reputação. Que sustentam relacionamentos, entregam resultados, se desenvolvem continuamente.

E que, quando a correria para — descobrem que não sabem quem são fora dela.

Não é falta de descanso. É algo mais profundo: uma identidade que foi construída inteiramente sobre o fazer.

A Terapia Cognitivo-Comportamental descreve um fenômeno chamado fusão cognitiva com papéis funcionais. Em termos simples: quando nos tornamos tão identificadas com o que fazemos que perdemos contato com o que somos.

O problema não é trabalhar muito. É não saber existir fora do trabalho.

E aqui está o detalhe que ninguém conta sobre desacelerar: dói no começo. Não porque você esteja fazendo algo errado — mas porque no silêncio aparecem perguntas que a correria estava suprimindo.

Perguntas como: isso que eu faço é o que eu escolheria? Isso que sinto é o que estou sentindo de fato, ou é o que aprendi a sentir? O que eu quero — não para ser útil, mas para ser eu?

A presença — a capacidade de estar com você mesma sem precisar de uma tarefa para isso — é uma habilidade. E como toda habilidade, pode ser desenvolvida.

Hoje, se puder: reserve cinco minutos sem nenhum propósito. Sem podcast. Sem checagem de mensagens. Sem justificativa.

Sente. Respira. Deixa o que aparecer, aparecer.

E observe: o que surge primeiro quando o movimento para?

Isso vai te dizer muito sobre onde você está — e aonde pode querer ir.

“Uma vida que não seja apenas produtiva, mas emocionalmente habitável.”

Nayara — Psicóloga · TCC

 

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