Quando a preocupação ocupa o presente
Às vezes, parece que pegamos os nossos problemas e os abraçamos.
Não porque gostamos deles, mas porque, de algum modo, acreditamos que precisamos mantê-los por perto para nos proteger.
Só que isso quase não faz sentido.
É como abraçar um cacto esperando não se machucar.
O excesso de preocupação faz algo parecido conosco: tenta nos convencer de que, se pensarmos bastante sobre um problema, estaremos mais preparados para enfrentá-lo.
Então nos antecipamos.
Pensamos no que pode acontecer, no que pode dar errado, no que precisamos resolver. Repassamos possibilidades, imaginamos cenários e, pouco a pouco, começamos a organizar a nossa vida em torno de problemas — inclusive daqueles que ainda nem existem.
E o que ganhamos com isso?
Muitas vezes, perdemos o presente tentando controlar o futuro.
Deixamos de viver o que está acontecendo agora porque estamos ocupados demais pensando no que talvez aconteça depois.
Nem todo problema precisa ser carregado antes da hora.
Pode ser difícil, mas talvez uma das formas de devolver a sua vida para si mesma seja aprender a largar um pouco os problemas.
Não no sentido de ignorá-los ou fingir que não existem, mas de parar de vivê-los antes do tempo.
Tolerar as incertezas dos dias.
Aceitar que nem tudo pode ser previsto, controlado ou resolvido agora.
E voltar para aquilo que realmente está diante de você.
Viver o presente.
Viver o hoje.

