Encontrar sentido no ordinário
É preciso buscar e encontrar sentido na vida todos os dias — sobretudo no ordinário.
Tem dias e dias.
Dias em que acordamos sem ânimo, e outros em que tudo parece um pouco mais leve. Você levanta, se olha no espelho e, de algum modo, decide como vai atravessar aquele dia.
Pode se cuidar.
Mas também pode se deixar de lado.
Pode não escovar os dentes, não trocar de roupa, não pentear o cabelo. Pode permanecer ali, sem vontade de fazer muita coisa.
Mas também pode escolher começar.
Arrumar a cama. Lavar o rosto. Pentear o cabelo. Trocar de roupa.
A questão é que a realidade não desaparece por causa da nossa escolha. Os problemas continuam ali. As responsabilidades também. Aquilo que dói não deixa de existir simplesmente porque decidimos levantar.
Mas alguma coisa muda dentro de nós.
Quando você escolhe cuidar de si, mesmo nas pequenas coisas, talvez esteja dizendo para si mesma: eu ainda estou aqui.
Você se escolhe todos os dias?
Você se lembra por que vive? Do que valoriza? Do que é importante para você?
Para mim, muitas vezes, é pensar na minha família. Pensar que, se eu estiver bem, também poderei estar presente para aqueles que amo.
E então começo do começo.
Arrumo minha cama. Cuido do meu cabelo. Escovo os dentes. Troco de roupa.
Depois, aos poucos, vou criando coragem.
Vou me lembrando daquilo que me fez continuar. Dos meus sonhos. Do desejo de cuidar da minha família, de construir uma vida, de estar presente para os meus filhos e para aqueles que amo.
Mesmo sabendo que algumas escolhas exigem renúncias.
Ainda assim, eu escolho.
Escolho aquilo que importa para mim.
Escolho viver de acordo com aquilo que valorizo.
Talvez encontrar sentido na vida não seja descobrir uma grande resposta de uma vez por todas.
Talvez seja se lembrar, todos os dias, por que vale a pena levantar da cama.
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